monitoramento de uso de mão de obra escrava na moda

Trabalho escravo na moda – Diga NÃO!

Postado em Atualizado em

escravos_moda

Sustentabilidade e responsabilidade social são temas muito discutidos em  todos os meios sociais e marcas tem ganhado notoriedade quando tem seu  nome envolvido com boas práticas, mas o que vemos em alguns setores, como  na indústria da moda, são apenas palavras jogadas ao vento e pouca ação.

 Um mercado extremamente competitivo desde os anos 1980, com a liberação  econômica e a pressão de produtos chineses, a indústria têxtil veem na  exploração de mão de obra barata, principalmente de imigrantes da América  do Sul, como os vizinhos bolivianos, uma saída para altos lucros. E o mercado  de luxo rema na mesma maré, elevando ainda mais seus ganhos nada  modestos.

 Grandes grifes da moda levantam a bandeira, de ética, valores e direitos  humanos, mas mantém “relações comerciais” que beiram o trabalho escravo,  pagando o mínimo possível para se obter lucros maximizados, mantendo uma relação mentirosa com seus fãs, seguidores de suas marcas e de tudo que ela representa, ou pelo menos deveria representar. São duas faces de uma mesma moeda. De um lado, o mundo glamouroso das supermodelos, status social, grandes eventos de moda. Nos bastidores, uma grande cadeia de trabalhadores brasileiros e imigrantes (inclusive menores), socialmente vulneráveis, amontoados em locais de trabalho que muitas vezes, também são o local aonde dormem (dizer “vivem” não se aplica), condição esta,  invisível a sociedade.

Flagra de trabalho escravo para o grupo Zara e M5

Desde 2009, vem aumentando o número de notícias envolvendo marcas de moda locais e de grupos internacionais envolvidas com o trabalho escravo na cadeia de confecções, porém após algumas discussões acaloradas nas redes sociais, o tema é deixado de lado.

No entanto, uma ONG disponibilizou um aplicativo – o Moda Livre – lançado em dezembro de 2013, acompanha os casos e orienta o consumidor na hora de realizar uma compra de vestuário e o ajuda a não compactuar com a com a prática de trabalho escravo. Um projeto da Repórter Brasil, coordenado por Leonardo Sakamoto, referência na discussão do trabalho escravo, direitos humanos e produção consciente,   juntamente com educadores, cientistas sociais e um coletivo de jornalistas.

App Moda Livre
App Moda Livre

Lançado inicialmente com um TOP 22, estão na lista do aplicativo varejistas como 775, Centauro, Collins e empresas do grupo Restoque (Le Lis Blanc, Bo.Bô, John John), também autuada em Junho de 2013 e a Zara, com processo publico iniciado em 2011. Essas empresas seguem um ranking de avaliações monitoradas por quatro indicadores: políticas, monitoramento de uso de mão de obra escrava, transparência e histórico de denúncias – que as colocam em três categorias: vermelho, amarelo e verde, sendo vermelho o pior qualitativo. 

Faça o download para Android ou o download para Apple.

Ainda sim, esse é um tema que divide opiniões. Em março de 2013, as vésperas do SPFW, fiscais do Ministério Público do Trabalho e da Receita Federal encontraram 29 bolivianos que trabalhavam em regime de escravidão em uma oficina clandestina na zona leste de São Paulo, próximo ao local do evento. Na entrada do SPFW, alguns profissionais de moda e fashionistas deram sua opinião: alguns disseram que deixariam de comprar uma marca se soubesse do envolvimento com trabalho escravo na produção das peças, outros porém, admitiram que não concordam mas que não deixaram de comprar, pois não faria diferença com a situação de irregularidades cometidas pelas empresas (Confira matéria completa aqui).

Protestos contra trabalho escravo na indústria textil

É  importante ressaltar, que para ocorrer uma mudança de postura do setor têxtil e moda de luxo, os consumidores devem tomar uma iniciativa de responsabilidade social, recusando-se a fazer parte deste processo, ao alimentar financeiramente este mercado que rende bilhões de reais.

O documentário “China Blue” produzido em 2005, aborda o complexo assunto da globalização no sentido humano. O filme, que foi feito sem a permissão das autoridades chinesas, oferece um relatório alarmante sobre as pressões impostas pelas  companhias ocidentais e suas consequências humanas, como os verdadeiros lucros são obtidos e mantidos nos países de primeiro mundo. O final inesperado mostra de forma bem clara, a conexão entre as trabalhadoras exploradas e os consumidores americanos.

Nike vira o jogo para limpar imagem

Nike teve sua imagem manchada na década de 1990 por acusações de trabalho infantil.

 A lição amarga que a Nike aprendeu desde o fim dos anos 90 serviu para que a  empresa se baseasse na transparência durante os processos de produção. A  empresa hoje não fala em reposicionamento.

 — O interesse da marca não é de se reposicionar. Temos uma obsessão por ser  transparentes e sustentáveis, o reposicionamento é algo que vem com o tempo —  diz o porta-voz da empresa no Brasil, Mario Andrada, comentando a polêmica que  prejudicou a imagem da empresa, quando esta foi associada ao episódio em que  crianças asiáticas trabalhavam para confeccionar produtos em oficinas  terceirizadas, em 1997. Leia matéria completa aqui.

Vale a pena recordar:

  • Em 2010 ocorre a primeira denuncia oficial de trabalho escravo.  A envolvida é a marca 775, processada por manter 2  estrangeiras bolivianas escravas, e sofriam agressões físicas.
  • HippychicSelo de Responsabilidade Socialk, empresa que terceirizou  produção para oficina onde cinco bolivianos foram libertados, tinha selo de responsabilidade social da indústria têxtil.
  • Em novembro de 2013, a Justiça do Trabalho determinou o bloqueio  de R$ 1 milhão da M5 Têxtil, dona das grifes M.Officer e Carlos Miele.

Todos nós, homens e mulheres gostamos e fazemos questão de nos vestir bem e com roupas de qualidade. Vamos fazer nossa parte, acompanhando e denunciando práticas ilegais para uma Moda Livre!

Conteúdo de referência:

http://reporterbrasil.org.br/2013/02/confeccao-de-roupas-infantis-flagrada-explorando-escravos-tinha-certificacao/

http://reporterbrasil.org.br/2013/11/justica-determina-bloqueio-de-r-1-mi-de-dona-da-m-officer-por-caso-de-trabalho-analogo-ao-de-escravo/

http://www.cartacapital.com.br/sociedade/aplicativo-permite-ao-consumidor-nao-compactuar-com-trabalho-escravo-3744.html

http://www.istoedinheiro.com.br/noticias/125338_OS+ESCRAVOS+DA+MODA

http://vitrinefashion.faculdadesenacpe.edu.br/escravos-da-moda-exploracao-do-trabalho-na-industria-e-no-consumo/

http://altamiroborges.blogspot.com.br/2013/12/trabalho-escravo-esta-na-moda.html